Pesquisas em andamento – Infância e adolescência

Compartilhamento genético e mecanismos causais na relação entre obesidade e TDAH (Análises em andamento)

Participantes: Thais Martins Silva, Ingrid Paola Tuchtenhage, Mara Helena Hutz, Luís Augusto Rohde, Júlia Pasqualini Genro, Luciana Tovo-Rodrigues

Estudos clínicos e epidemiológicos têm demonstrado uma associação significativa entre TDAH e obesidade. Padrões alterados de alimentação, com maior consumo de açúcar e gordura também são associados ao TDAH. Entre os mecanismos envolvidos, sugere-se alterações do sistema de recompensa, comportamento compulsivo e impulsivo e alteração na percepção gustativa de sabores amargo, ácido e doce em indivíduos com TDAH. Essa linha de pesquisa objetiva investigar relações causais e mecanismos genéticos compartilhados entre ambas condições na amostra clínica de crianças com TDAH do ProDAH e nos estudos de coorte de nascimentos de Pelotas.

Associação de variantes maternas do gene MTHFR na suscetibilidade ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nos filhos. (Elaboração do plano de análise)

Júlio Schoreder, Luciana Tovo-Rodrigues, Mara Helena Hutz, Luís Augusto Rohde, Júlia Pasqualini Genro.
O gene MTHFR codifica a enzima Metiltetrahidrofolato-Redutase que tem papel chave na metabolização do folato. Déficit de folato já foi associado com vários desfechos adversos para o neurodesenvolvimento. Além disto, existem polimorfismos funcionais neste gene já associados com a biodisponibilidade do folato. O objetivo deste estudo é verificar se variantes maternas deste gene estão associadas à suscetibilidade ao TDAH nos filhos.

The neurobiological signature of the at-risk state for ADHD (análises em andamento)

Arthur Caye, Antonio Igor Duarte Braz, Douglas Leffa, Luis Augusto Rohde
Embora tenhamos tratamentos seguros e eficazes para o TDAH, uma parcela significativa dos pacientes não responde, não tolera, ou mesmo não deseja iniciar e manter o uso de medicações para o transtorno. Neste sentido, voltarmos esforços para estratégias preventivas é de fundamental importância para reduzirmos os prejuízos associados ao TDAH. Nesta iniciativa, estamos analisando quais as características neurobiológicas (em termos de alterações cerebrais, genéticas e de medidas neuropsicológicas) estão presentes em indivíduos com alto risco para o TDAH (conforme definido por um escore multivariado validado no Brasil) porém que ainda não apresentam o transtorno. Com isto, esperamos poder entender o papel destas alterações, e também de mecanismos de resiliência que previnem o aparecimento de sintomas e prejuízo nestes indivíduos.

Polygenic risk scores and ADHD trajectories throughout development (análises em andamento)

Jessica Agnew-Blais (King’s College London), Arthur Caye, Luis Augusto Rohde
A compreensão atual do curso do TDAH ao longo da vida reconhece a existência de diversas trajetórias desenvolvimentais, com síndromes persistentes, com redução ou remissão, com início tardio, e até com sintomas flutuantes entre a infância e a idade adulta. Este trabalho reúne dados sobre as trajetórias de sintomas em diferentes populações, com coortes no Reino Unido e no Brasil, associando-os a escores poligenéticos para compreender melhor os mecanismos por trás das diferentes apresentações longitudinais do TDAH.

Month of birth and persistence of ADHD: an IPD meta analysis (análises em andamento)

Corentin Gosling and Samuele Cortese (University of Southampton), Arthur Caye, Luis Augusto Rohde

Diversos estudos recentes demonstraram que o mês de nascimento pode ser um fator de risco para receber o diagnóstico de TDAH em crianças de idade escolar, por diferenças maturacionais e comparações entre colegas de diferentes idades dentro de uma mesma classe. Contudo, pouco se sabe sobre a trajetória destes indivíduos ao longo do desenvolvimento, por exemplo, se persistem como diagnóstico até a idade adulta. Esta pesquisa em andamento está reunindo dezenas de coortes ao redor do mundo para avaliar a associação entre o mês de nascimento e a persistência de TDAH ao longo da vida – ou seja, se crianças que são as mais jovens da classe e recebem o diagnóstico possuem uma maior tendência à remissão pela redução da sua imaturidade relativa com o tempo.